sexta-feira, 27 de abril de 2012

(des)entendimento


Assustei com a voz,
até duvidei que fosse minha.
Saiu desafinada, estrangulada, gritada
nem eu a entendia,
palavras quebradas em lugares estranhos, trêmulas,
e então, o silêncio...
desconcertante e ensurdecedor, silêncio.
Ao fundo, uma amostra barata e difusa do que fui,
jogado em minha cara sem prévio aviso.
Soluços abafados pelo travesseiro,
e mal iluminados por um néon triste e solitário da cidade a madrugar.
Nas mãos a incerteza
no coração um resquício de esperança
e nos olhos, além de lágrimas,
o reflexo de uma garota que desaprendeu como sonhar.

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