terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mudar...


E do alto de seus 24 anos,
sentiu seu coração palpitar
como a muito não acontecia.
Com medo que alguém ouvisse,
tentou calá-lo com as mãos.
Surpresa,
o comodismo a sustinha
até que aquele momento a transformara.

A vida lhe tinha sido generosa,
tinha um canto pra chamar de seu
nada de mais,
uma casa sem pretensão de ter distinção das outras
Como tudo em sua vida
nada se distinguia
ela era normal.
Banal.

Até que,
um calor gélido e ansiado lhe cortara o ventre,
as mãos suavam trêmulas
nos olhos um lago cristalino
a mutação acontecia

Deu-se que, por fim,
encontrou alguém a muito esquecido
tantas lembranças, tantos sonhos
contidos, comprimidos e abafados.

Alguém que se libertava de uma prisão invisível
de uma solidão sem tamanho
de uma clausura abusiva

Reparou na força de seu olhar
e na forma como sorria,
despreocupadamente.
Nas mãos a inquietude
e no agir a decisão.

Lá estava ela,
de frente a quem costumava ser.
E tudo se fez cor!
E tudo passou a ser
como ela sempre desejara.
Diferente.