domingo, 29 de maio de 2011

Estricnina

Em seu sonho
matou todos
-estricnina-
lenta e ávida
silenciosa e doentia
tão fácil...
Imbecis!

Acompanhava tudo, friamente
caiam da mesa, um a um
gritavam
agonizavam
"-Era o ultimo som" ela pensava.
"-Nunca mais reclamar,
nunca mais..."

Depois do silêncio
não havia culpa,
não havia dor...

Havia uma menina,
que sonhava mto alto,
depois acordava num salto
e voltava a sua rotina.
pobre menina!
não tinha estricnina...

eu fugi! fugi de mim...
menina sapeca! levada muleca....
pulou a janela da minha boca
não aguentei o sufocado abraço
eu queria espaço
não me deixava respirar...
eu fui assim, sem pensar
mas vou voltar
eu sou meu altar

sexta-feira, 27 de maio de 2011



Atrevida!
Apossou-se da noite,
e de toda avenida.

Seguiu,
sem medo e sem amor,
sem dinheiro e sem companhia

Olhares e atenções,
eram dela, já sabia!

O blues lhe animava,
o blues das buzinas
Dançou, pulou
e riu...
dos caras das esquinas.
Atrevida...!

Sob a luz do neon
Chapeuzinho de máfia
Carinha de má fia

A Lua olhava, assombrada:
-Por que feliz? Me diz...?
Atrevida!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Chat



Sarah:


Ontem três amigas vieram me visitar: a solidão, a depressão e a angústia......


Elas me bombardearam com perguntas e mais perguntas...


estava com medo de ficar sozinha com elas...


e hoje quando eu acordei dei de cara com elas....dormiram ali...


e estão me sufocando nesse momento....


a angústia (essa sim é a pior de todas)


me perguntou como é que eu deixei que minha vida se desmoronasse tanto em tão pouco tempo...



Aline:


e você o q respondeu a elas??? ou só se entregou e ouviu calada??



não consegui me defender de nenhuma das acusações,...


elas me acompanham já ha algum tempo,....sabem dos meus erros e comportamentos.... elas são implacáveis.....Não consegui reagir!


*Filhas da puta!!!!!* foi máximo que eu pude dizer... e pedir, quase que implorar para que fossem embora...e que parassem de me torturar...mas elas fingiram que não estavam ouvindo...



Aline:


o q me aflige...é a forma como você mesmo as acolheu (a tempos atrás)... no começo o convívio será horrível...


antes combatidas com a presença (embora utópica) de alguém em quem você se apoiava... a força não vinha dele, mas de você (se imaginando apoiada nele)...mas elas estavam lá... te jogavam uma pedrinha de vez em quando, mas outras preocupações lhe tomavam a atenção...


agora elas aproveitam...


víboras carnívoras!!


como podem?


já não vêem o quanto você sangra?


o q temos q fazer agora é voltar a sua atenção para outras coisas novamente


você pode amiga...a força q você tem (e eu admiro tanto) é capaz de derrotar a quem quer q seja...



Sarah:


Cuidado!! Elas estão bem aqui,...e sabem ouvir muito bem.......!Desgraçadas!......Elas sopram em meu ouvido que a solidão veio pra ficar,....(como se eu já não pudesse senti-la)....E novamente eu visto aquela armadura de guerra...pior eu sei q elas não estão pra brincadeira, e tento me reerguer...apesar do peso que a batalha ainda guardada naquela amadura já tão velhinha citada....


Aí eu paro e penso se eu não devo deixar esta mesma armadura de lado,...e assumir um sentimento tão normal,....SOFRIMENTO.....Fico me debatendo de um lado pro outro, sem me permitir senti-lo ....Mesmo porque eu não tenho o direito de sair por ai gritando e chorando como uma criança...


e por mais q essa seja a minha mais latente vontade,...eu ainda assim,...visto a minha armadura...que já sangra igualzinha a mim,... como das tantas vezes q chorei incontrolavelmente sozinha,....esperando que um anjo me tirasse daquele inferno,...e me levasse com ele onde eu nunca mais saberia o que é a dor...


esperei por ele incontáveis vezes,....até que percebi que a única coisa que ele poderia fazer era rezar por mim;.......



Aline:


a dor minha amiga está embutida, lembra? tava no contrato... marcada a ferro e fogo... de q vale tentar fugir?


vou te contar uma historinha..."havia uma rosa, muito bonita e muito frágil, seu botão era formoso, sua cor era radiante... quem a via sentia pena, e pensava pobre rosa... como poderá ela sobreviver neste mundo frio e cruel, com apenas estes 4 espinho q ela possui... mas eis que ao desabrochar, suas pétalas ao sol mostravam toda sua vitalidade...sabia ela o quão frágil era... porém a si mesmo afirmava "estas garras q possuo, são o que Deus achou justo para q eu me defenda... com elas eu tenho o poder da sobrevivência...e afinal... terei de suportar duas ou três lagartas caso eu queira ver um dia as borboletas..."


você é forte minha querida...


e amada...


muito amada...



Sarah:


obrigada,....... sei que amor agente não agradece,....mas muito obrigada......


O fato de saber que posso contar com você, tão poética assim do meu lado,..me dá armas,....e me faz lembrar daquela caixinha que eu havida guardado no fundo da gaveta,...e que ainda vai ter muita serventia,...aquela caixinha,...eu venho guardando há tempos,....é para emergências espirituais... pois sou prevenida,.....mas nem em meus mais altos devaneios pensei ter que usa-la....Por isso me pego pensando e falando a todo momento com Deus...


Ele está aqui do lado da solidão e da depressão (*amigas da onça)....Ele é o cara,....que me diz que eu tentei de tudo,...mas elas mal-criadas como sempre revidam.....


e eu tento achar no fundo de tantas dúvidas e confusões..(daquela bagunça que guardo há anos)...achar o que esta mais correto....


o problema é que eu sempre fui muito desorganizada...e as lembranças também me confundem,........pego a certeza com as duas mãos,....e quando estou a caminho, percebo que não está mais ali,.... então volto a revirar a minha bagunça....


Até acho coisas bonitas,....do tipo que não me tem serventia alguma nessa ocasião....daí eu não agüento e olho pra elas....


E os conflitos se formam,..... e me perco novamente no que eu estaria ali procurando....


Porque eu sempre tive uma certa facilidade em ver o lado bom,....


e podendo estar os dois lado a lado,...e eu sabendo que estou procurando armas para provar para as duas amigas infames,....... me perco,...e paro para olhar as coisas bonitinhas....



Aline:


mas se não pode combater...então fuja! pegue as penas q você sente de você mesma...junte-as...crie asa e fuja!


Do alto você verá, minha amiga, o quão belo são as coisas lá embaixo, estará mais perto de Deus...


e seus problemas...


e suas malditas companhias...


serão apenas ciscos...


e resquícios de um tempo passado...


amanhã, minha querida


vamos rir de td isso...do q nos fez chorar


mas só amanhã...



Sara:


...só amanhã...


terça-feira, 17 de maio de 2011

Inércia

Ela não tinha nenhuma consciência de suas ações

E nem as queria

Não saber o q fazer às vezes faz a diferença

Já se preocupara de mais

Já correra muito atrás

Agora estava inerte

como quem apenas sente o corpo se mover pelas ondas

em seu quarto, mal iluminado

com o tapete a lhe marcar o rosto

pensava em sua falta de vontade

em suas mordidas sem sabor

suas lágrimas sem sentimentos

lembrava da proposta feita

e recusada

das palavras (tão ensaiadas na frente do espelho)

sendo cortadas pela indiferença

e o engolir a seco das mesmas.

Pensava na vergonha em vê-lo

Seu companheiro, seu ajudante

Que lhe mostrava como ela era,

Sua imagem refletida nele,

Num imaculado branco, angelical.

Mas não naquele dia.

Então o ignorou.

nada mais lhe importava

se deu ao luxo de manter-se respirando

estava cansada de mais para qualquer coisa

contentando-se apenas com placa em seu coração que dizia:

“vende-se ou troca-se por vodka”.

preocupara de mais, já correra muito atrás,





agora estava inerte como quem apenas sente o mover do corpo pelo bater das ondas.











Em seu quarto mal iluminado, com o tapete a lhe marcar o rosto...





pensava em sua falta de vontade,





suas mordidas sem sabor,





suas lágrimas sem sentimento...











Lembrava da proposta feita. Recusada.





E das palavras (tão ensaiadas na frente do espelho)





sendo cortadas pela indiferença...uma a uma...





...e o engolir das mesmas...a seco, rasgando garganta abaixo...











Ali deitada ignorava muitas coisas...





ressaltava outras... uma forma de se assolar...





lembrou de seu companheiro e ajudante, que via suas lágrimas e usava-as como se fossem dele,





a imagem q ele refletia, nem sempre bela, mas sempre branca, lhe mostrava a realidade que o mundo lhe impunha.










Mas ela não o queria... não aquela noite, como tantas





outras coisas que lhe era de valor, ignorou.





Nada mais lhe importava, cansada de mais para qualquer outra coisa, se deu ao luxo apenas de respirar...





...mas algo lhe confortava...










Talvez fosse a placa em seu coração, que dizia em letras infantis...





"vende-se" (ou troca-se por vodka)