sexta-feira, 27 de abril de 2012

(des)entendimento


Assustei com a voz,
até duvidei que fosse minha.
Saiu desafinada, estrangulada, gritada
nem eu a entendia,
palavras quebradas em lugares estranhos, trêmulas,
e então, o silêncio...
desconcertante e ensurdecedor, silêncio.
Ao fundo, uma amostra barata e difusa do que fui,
jogado em minha cara sem prévio aviso.
Soluços abafados pelo travesseiro,
e mal iluminados por um néon triste e solitário da cidade a madrugar.
Nas mãos a incerteza
no coração um resquício de esperança
e nos olhos, além de lágrimas,
o reflexo de uma garota que desaprendeu como sonhar.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cada gotinha tímida daquela chuva mansa desejava me encharcar

me entreguei

deitada na grama gelada, era outono

ao lado da cesta do café que tomamos, mais cedo

Respirava fundo, e sentia de olhos fechados minha pele a se texturizar,

leves arrepios surgiram pelo frescor do cair da noite.

E sorria... um sorriso tranqüilo, de quem não tem pressa, nem pretensão

Só sente e deixa transmitir pela boca

a paz que vem da alma.