O Sol de meio dia queimava seu rosto
Esquecera uma fresta na janela
Esquecera uma fresta no coração
E ele entrara novamente
O Sol não a deixa dormir
Passou a noite em claro, lembranças dele.
Dois vilões
Ferros em brasa
A ferir em intensidades diferentes
A marcar da mesma forma
Invejava a força que possuíam
Imutáveis. Infernais.
Teve raiva de si
Incapaz outra vez
Incapaz sempre?
Ao menos até conseguir se deitar do outro lado da cama.
Onde os raios não cheguem
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Abajur
sábado, 15 de outubro de 2011

Tenho várias caixinhas
Nas quais guardo
os sonhos
Os momentos,
Os medos, anseios
Vontades...
Numa estante bem organizada
Etiquetadas e enfileiradas
Ficam todas
Estão lá
Sempre a mão para quando eu precisar
Sei usa-las muito bem,
Cada qual no seu devido tempo
Porém, há uma caixinha
Empoeirada e maltratada
que insiste tanto em me atormentar
Trancada a sete chaves
Vedada, amordaçada
Pra não ter perigo de escapar
Segurança falsa talvez?!
Mas não adianta, sei que está lá
A etiqueta da caixa me adverte
“AMOR – só abra se tiver forças depois para fechar.”
recaídas acontecem...
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Pigmento.

Tinha uma cor muito pálida
(ou seria a ausência de cor)
ofuscava a vista dele.
Parecia morta
Tão magra
Tão imóvel
Tão pálida... meu Deus, tão pálida...
Protegê-la,
era só o que queria.
Nada mais do que deveria sentir,
ou do que ela quisesse,
proteção era a única vontade.
Como poderia ela sobreviver neste mundo
sendo tão pálida assim
tão magra
tão frágil.
Deitou ao seu lado
fechou os olhos
ainda alerta para qualquer ruído
para qualquer mal.
Pegou no sono
sono profundo
E na manhã fria
de um outono amarelado
ele acordou...
Mas estava só...
Ela fugiu de uma proteção febril
em busca de um amor
que pudesse feri-la
e matá-la.
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