quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Que venha a chuva!

Quando a chuva vem...
o bom mesmo é ficar deitado
numa cama desfeita
cabelo despenteado
e toda a vida deitada ao lado

E se ele vier então!?
"Meus Deus como vai ser bão!"
deitados, despreocupados, desarrumados,
perdidos nos edredons de uma cama desfeita
Aí o tempo pode passar!

E se a chuva parar?
Corro atrás de qualquer outro motivo,
pra não ter q levantar!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

.



Quis me esquecer um pouco na cama

Um pouquinho só
Passarinhos faziam algazarra na minha cabeça

E eu ria

Um riso cansado,

cansado de tanto rir.

O mundo estava lá todo pra mim,

mas eu preferi me esquecer um pouco na cama

só um pouquinho.

Pra que aquele mundo meu, sinta falta minha...

e pra quando eu voltar, que ele possa rir com meus passarinhos...

Ansia



Os sinos tocavam naquela tarde de sábado

anunciando o pôr do Sol

e aos fiéis para que viessem rezar.

Ela estava inquieta,

ela estava enfeitada

Vestida, muito tempo antes do preciso.

Ansiosa pela dança que a envolveria,

pela hora em que, de olhos fechados,

seria guiada por notas fortes e corrosivas.

Precisava do som e dos movimentos de logo mais.



O intervalo do badalar incessante lhe soava eterno

lhe trazia desespero

Os sinos diziam -"Vai morrer de esperar!"

Ela ria e pensava


-"A música vai me salvar!"




terça-feira, 16 de agosto de 2011

Quando me perco é que me acho
Descabelada sim!
Iludida quase sempre.
Mas,
revigorada e certa de que posso mais
Naquele que me fortalece!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O grito disfarçado na minha quietude
é conveniente,
e nada mais.
São os efeitos colaterais
que embrulham o estômago.

Meu relógio vai continuar errado
meu sapato desamarrado...
Gosto assim
como o grito disfarçado.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Entre Nobres e Reis

Conta-se de Reis e Nobres,

cujas frontes incrustadas de pedras preciosas


sem uma ruga de preocupação sequer...


Nem uma sequer.


Conta-se que a alegria era febril,


e as noites tinham bailes intermináveis


Incontáveis.


Era abril.


Havia uma princesa, senhora no pensar,


nas mãos a delicadeza, e uma tristeza no olhar.


Não lhe cabia as jóias, nem nos bailes se encontrava.


Na tez, a palidez frígida e nos lábios o sorriso fustigado


Fugia às vezes para um jardim secreto,


que de secreto nada tinha,


mas assim fantasiava,


almejando que fosse o mais distante paraíso que conseguiu chegar


Ali era feliz... era real...


Ali ela era o que queria ser


não princesa, não da corte


Mas, uma camponesa humilde, cuja principal e mais bela função era


cuidar das lindas rosas que ali viviam.


Numa noite um tanto fria


Fugida de um baile e da mesma vida,


voltou a sua terra, ao seu pedaço de céu


cansada do teatro real a qual era sujeitada


debruçada em lágrimas e atordoada pelo frio


ouviu uma doce voz que a chamava,


a voz era quente e aconchegante.


Ela se acalmou e entendeu logo o que deveria fazer...


Deitou-se ao lado das rosas e obedeceu prontamente a tenra voz


Que a ordenava que apenas dormisse, que o frio se encarregaria do belo final...





Conta-se que era um lindo jardim secreto,


que de secreto nada tinha.


Lindas rosas lá viviam,


em especial uma de tez branca e delicada


A qual ninguém jamais ousou colher,


não havia lugar no mundo em que se encaixasse melhor


que não fosse naquele doce e aconchegante jardim.


A pintura mais singela. A felicidade escancarada.