quinta-feira, 30 de junho de 2011

Inverso

"-Saia da minha vida!"
A frase saiu gritada
Coragem inventada
Verdade amordaçada
Alma ensanguentada.

Ele nem discutiu,
virou e saiu.

"-Eu te amo..."
Eu disse baixo de mais
Estava longe de mais
...era tarde de mais...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Menina do espelho 1



"-Você não está só!"
disse a menina de fita no cabelo
aquela que morava no espelho
anos antes da realidade entrar
e a solitária senhora tomar seu lugar.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Implícito.








Quis me esconder
brincar com uma liberdade que não era minha
me ver nas pessoas
esquecê-las em mim
encontrar as certezas no travesseiro
carregá-las no colo pela manhã
sentir as borboletas que querem fugir pelo umbigo
e nas mãos a lâmina fria e fina...
...assassinar a rotina.

Quis me perder de ti


Em ti


perdi...


Quisera eu, não ter querido nada...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Fundo

A impressão que teve
foi de uma colisão no solo.
Seu corpo parecia uma pedra
afundando na água fria.
Esperava que tudo tivesse acabado na queda
Mas, o máximo que conseguiu foram alguns ossos quebrados.
Nos ouvidos, uma insuportável pressão seguida de uma barulho agudo.
A adrenalina fazia com que seu cérebro funcionasse perfeitamente...
"-Merda!"
Lembrava-se de tudo, e o pior... sentia tudo...
Maldita lucidez...
Ansiosa para que a água inundasse seu pulmão...
Será que vai demorar?
Será que vai doer?
Não conseguia se mexer, talvez tivesse quebrado a coluna.
Maldita dor...
Maldito arrependimento...
Finalmente...
o ar que prendia,
saiu devagar,
pequenas bolhas atrapalharam sua visão.
A água entrou, ávida.
Ardia traqueia abaixo.
Enfim o fim...
Mas,
beirando a inconsciência...
sentiu seu corpo se movimentar involuntariamente
mãos fortes a puxavam,
viu seus pés
e ao fundo... o fundo...
Último pensamento:
"-É... não foi desta vez!"










terça-feira, 21 de junho de 2011

Em um hotel qualquer...


A falta de ar lhe preocupa?
Pois era essa falta que ela ansiava.
Sentada no chão do banheiro,
esperava que as gotas do chuveiro pudessem lhe afogar...
...incapaz de mais para tentar uma forma mais eficaz.

A letra "H" da palavra "hotel"
iluminava o quarto xexelento e barato,
é o que podia pagar.
Lá fora, o ruído nervoso da rodovia,
a chamava com toda força,
distraída nem ouvia
ficou ali parada
morrendo uma gota por vez
deixando que o tempo escorresse ralo abaixo.

Quando por fim desistiu da morte lenta,
esparramou-se na cama, ensopada.
sentia o cheiro de naftalina,
esboçou um sorriso torto e pensou
"Minha mãe não gostava de toalha molhada na cama...
...se ela me visse agora."
Pensar em sua mãe lhe doeu o estômago.
Fugiu de sua proteção,
Incapaz de mais para receber um amor verdadeiro

Fugiu.

Todos os seus valores
foram depositados em pessoas...
...pessoas de vidas vazias.
Causavam sofrimento e dor,
Mas ela...
...ainda as amava...
Incapacidade?

No perfeito esconderijo
Havia um cúmplice, o balconista.
Mas este não mostrava interesse algum por ela.
Só e triste,
deixou-se viver.
Mesmo que houvesse outra opção, ignoraria.
Afinal...
...era incapaz de mais...


Assim, inventada.

Me invento bailarina,
saia rodada e meia calça.
Na manhã ensolarada,
desarrumo toda a casa.

E danço, e rio,
e corro, e canto,
e rodopio...rodopio...
revivo os delírios
sozinha na sacada

Mas da porta pra fora
Me invento toda séria
Maquiagem cor-de-rosa
Camuflada vou à guerra.

quarta-feira, 15 de junho de 2011




Meu vizinho assovia.


Gosto das manhãs que seu assovio toma conta do quintal.


pés no chão. Roupas no varal.



quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Monstro

"-Meu Deus!!... tem um monstro embaixo da minha cama!!"

No começo tive medo,

(sempre temos medo do que não podemos mudar)

depois respeito.

Hoje,

fiel companheiro nas noites frias.

Me atento a deixar a porta fechada,

vai que sinta frio... vai que escapa!

Bem alimentado, o chamo pelo nome...

"Passado".

E ohando ele agora, bem na fuça,
vejo que não tem nada de monstro...

o que me remete a uma conclusão...

"-Meu Deus... tem um monstro em cima da minha cama!"


terça-feira, 7 de junho de 2011

Uma grande amiga

Reencontrei uma grande amiga, distante, mas nunca ausente.
Ao me aproximar, vi que lhe falvata algo, um certo brilho, um quê de vida.
Definitivamente não era a mesma de antes.
O que eu via era semelhante a uma imitação barata,
um plágio de mau gosto... e isso acabou comigo!
Havia tanta vida, tanto amor, tanta audácia, onde diabos foi parar?
Um largo sorriso me recebeu, não de felicidade, mas aflito, trêmulo...
E os olhos... meu Deus quanta coisa eu via através deles.
Olhos de quem viveu dez anos em apenas uma noite.
O abraço demorado, apertado, como o de uma criança que não quer se desgrudar do pai.
"-Saudade..."
A palavra saiu baixinha, afônica, mas de uma sinceridade que me doeu a alma.
Onde afinal eu estive, se não ao seu lado quando precisou?
Eu também era culpada!
Se não eu, a quem culpar?! A vida? As circunstâncias?
O que eu sei, é q eu não estava lá, para dar suporte...
Mas não é tarde! Nunca é!
Farei minha as tuas lágrimas, e meu coração como um escudo...
Juntas agora, a vida nos espera!
Minha grande amiga...
Minha Sara!

domingo, 5 de junho de 2011

Acomodada.

Cansou e cansou...

Se deitou e não viu mais nada.

Se calou, não chorou.

Calada.

Sonhou e sonhou...

Pensou que não era nada.

Se acalmou e esperou.

Acordada.

Viveu e viveu...

E esqueceu que não tinha mais nada.

Cansada se entregou,

e vivendo ela viu...

...que nada se espera de nada.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

.

"-Tão cretina!"
Disse ao espelho.
Depois de tanto olhar para o umbigo,
Decidiu encarar a derrota.
Pensamentos lhe fuzilam a memória...
Sobre a vida?
Que vida?
Esqueceu-se que a tinha.
Preferiu mascarar o que não lhe cabia nas mãos
"-Pobre menina rica... o que lhe faz valer??"
Perguntou-lhe o espelho
Nada tinha a oferecer
nada