terça-feira, 2 de agosto de 2011

Entre Nobres e Reis

Conta-se de Reis e Nobres,

cujas frontes incrustadas de pedras preciosas


sem uma ruga de preocupação sequer...


Nem uma sequer.


Conta-se que a alegria era febril,


e as noites tinham bailes intermináveis


Incontáveis.


Era abril.


Havia uma princesa, senhora no pensar,


nas mãos a delicadeza, e uma tristeza no olhar.


Não lhe cabia as jóias, nem nos bailes se encontrava.


Na tez, a palidez frígida e nos lábios o sorriso fustigado


Fugia às vezes para um jardim secreto,


que de secreto nada tinha,


mas assim fantasiava,


almejando que fosse o mais distante paraíso que conseguiu chegar


Ali era feliz... era real...


Ali ela era o que queria ser


não princesa, não da corte


Mas, uma camponesa humilde, cuja principal e mais bela função era


cuidar das lindas rosas que ali viviam.


Numa noite um tanto fria


Fugida de um baile e da mesma vida,


voltou a sua terra, ao seu pedaço de céu


cansada do teatro real a qual era sujeitada


debruçada em lágrimas e atordoada pelo frio


ouviu uma doce voz que a chamava,


a voz era quente e aconchegante.


Ela se acalmou e entendeu logo o que deveria fazer...


Deitou-se ao lado das rosas e obedeceu prontamente a tenra voz


Que a ordenava que apenas dormisse, que o frio se encarregaria do belo final...





Conta-se que era um lindo jardim secreto,


que de secreto nada tinha.


Lindas rosas lá viviam,


em especial uma de tez branca e delicada


A qual ninguém jamais ousou colher,


não havia lugar no mundo em que se encaixasse melhor


que não fosse naquele doce e aconchegante jardim.


A pintura mais singela. A felicidade escancarada.

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